sexta-feira, 24 de julho de 2009

Meu primeiro comentário de ódio!

Peguem a champagne, o canapé com caviar e brindem!

Recebi meu primeiro comentário homofóbico, e quero compartilhar com vocês. Sim, porque é pra dar destaque!

Abre aspas...

"ah, eu sou hetero e acho errado essa luta por direitos iguais. As pessoas Ht tem direito de não gostar dos homos. Claro que também não tem o direito de prejudicar a ngm pela sua opção. Agora, quais as vantagens que um casal hetero tem que 2 pessoas homos não tem? Isso que eu não entendo. Os heteros nunca precisaram pedir direitos. Os direitos sempre estiveram ao alcance de todos. É verdade que ao adquirir um seguro, por exemplo, o valor cai devido ao pressuposto que pessoa com família tem mais responsabilidade (cuidar financeiramente e amorosamente da conjuge e filhos) e o risco de causar acidente é menor (em termos). Agora, numa sociedade em que marido e mulher ganham a mesma coisa, essa independencia financeira faz com que somente a familia completa (+filhos) venha a resgatar a imagem da responsabilidade pelo cuidado para com outrém. Já 2 homos nunca terão como fazer isso, pois não tem como engravidar por meios naturais, sempre há um terceiro na jogada. Eu, como cristão, não tenho preconceito, não sinto vontade de espancar. Mas ser assediado por outro homem me dá um asco terrível e aí sim dá a mesma vontade de espancar q uma mulher sente qdo algum velho tarado mexe com elas. Tem mto gay por aí que fica mexendo com os outros sob a proteção que homofobia é crime. Um gay da minha facul uma vez passou a mão na minha bunda, mano, deu vontade de matar o cara. Mas daí eu seria o "homofóbico", fala sério. E fora que os gays hoje são tudo marombado, não tem nem como. Narcisistas hedonistas, superlegais, divertidos e inteligentes. Mas egoístas ao extremo. Todo homossexual é egoísta ao extremo. É muito difícil ter um relacionamento profissional ou acadêmico com um Hm pq sempre terá uma intenção sexual. O ht sempre terá essa desconfiança, por trás de cada atitude do hm, que as vezes é coisa da cabeça dele. Independentemente se existe intenção ou não, o fato é que isso torna a relação desgastante. Eu falei um monte e isso não muda nada pra ngm, nem pra mim nem pra vocês, o que torna minhas palavras inúteis, pq elas nao provocam mudanças no caráter de ngm. Por isso, o máximo que eu posso falar é que existe um amor maior, que provoca mudanças e satisfaz TODA e qualquer necessidade do ser humano, física, mental e espiritual, que é o amor maior de Jesus. Infelizmente, mesmo os portadores desta palavra de amor não veem as pessoas com os olhos de Jesus, cujo objetivo final é ter as pessoas junto a Ele, fazendo-as completas, sem mágoas, sem culpa, plenamente felizes mudando o conceito de felicidade construído desde que o mundo é mundo. A essência da felicidade de Jesus é o relacionamento humano, entre nós mesmos e com Ele, adorando a Jesus e sendo gratos pelo cuidado que Ele nos dispensa a cada dia. É um sentimento de paz tão grandioso que parece que vai estourar dentro da gente, muito bom mesmo! Se tiver um tempo, apenas pronuncie, sozinho no seu quarto "Jesus, eu preciso de você aqui e agora!" daí a cada dia vc vai sentir uma alegria diferente, mais real e perene. Bem loco o negócio. Muitas coisas foram faladas em relação aos que adoram a Deus, mas muita coisa é fictícia.
um abraço, fiquem na Paz."


Ah, tantas coisas a dizer sobre esse belo e eloquente comentário.

Primeiro, todo religioso que se preze TEM que falar de Jesus em TODOS os momentos. É um post sobre receita de bolo? "Ah, fiz em casa, ficou uma delícia. Mas seria bem mais delicioso se você tivesse aceito Jesus em seu coração. Viva Deus. Amém."

O que é difícil para religiosos extremados é reconhecer que sua religião não é única. Sim, querido. Não é. Há três mil anos atrás, ninguém nem conhecia esse barbudo que anda com 12 amigos do peito, e acreditava em outro(s) deus(es). Na Índia, as pessoas ainda acreditam em uma infinidade de deuses diferentes. E os budistas acham que não existe um Deus. Que coisa não? Isso se chama diversidade. E ela está espalhada em diversos aspectos da humanidade: diversidade de pensamento, de opinião, de religião, de raça, e de sexualidade. E é isso que faz a raça humana algo incrivelmente belo e interessante. Que existam pessoas tão diferentes quanto um padre, um torcedor do Corinthians, uma senhora que gosta de jardinagem e um adolescente metaleiro. Com uma infinidade de gostos e vontades e pensamentos e histórias.

Eu, por exemplo, não consigo pertencer a uma só religião porque acredito não estar respeitando as outras ao afirmar que a "minha" é correta, mesmo que seja só pra mim. Porra, se um monje budista chega pra mim e diz que acredita ter alcançado o Nirvana, algo pelo qual ele passou a vida inteira procurando, quem sou eu pra dizer que o cara é louco? Prefiro acreditar em uma força cósmica ou algo do gênero. E só. Ou prefiro acreditar nas teorias simpáticas e esquisitonas de supercordas e tal. E me sinto bem assim, muito feliz, obrigada.

Em segundo lugar: eu não sei o quão irônico, sarcástico ou ignorante é esse moço, que vem em um blog majoritariamente feminista e lésbico e não cita em nenhum momento a situação das lésbicas. O problema dele é com os gays que dão em cima dele - os marombados, claro, porque gays são um produto especial e pré-definido que se compra na farmácia, vem tudo igualzinho. (Meu melhor amigo gay é magrinho, franzino e usa óculos, mas né, vai ver que ele é só nerd, não pega mulher e tá confundindo tudo, cof cof.) Nem vou entrar no mérito de isso cheirar a enrustismo, claro.

Ele cita as mulheres em um momento, sim, quando ele diz que receber uma cantada de um gay é comparável a uma mulher receber uma cantada de um velho e sentir vontade de bater nele.

Meu filho, não é.

E não é porque por trás de uma mulher ser assediada por um homem (velho ou novo, feio ou bonito) está relações de poder e hierarquia entre gêneros existentes há milênios que escravizam, diminuem e desvalorizam a mulher e que nós tentamos destruir pouco a pouco.

Não é, porque quando você é assediado por um outro homem, é "recomendável" que você se zangue e até mesmo o agrida porque isso vai reafirmar sua masculinidade, sendo que você pode fazer a mesma coisa com uma mulher e é "recomendado" que ela aceite com um sorriso e uma piscadela porque isso reafirmaria a feminilidade dela, mesmo que ela não gostasse e não quisesse que você a paquerasse.

Concordo com você em um ponto, Douglas. Você tem direito de não gostar da gente. E nós também temos o direito de não gostar de você. Todos tem direito de não querer, não gostar, não aceitar e não concordar com qualquer coisa. Mas DIREITO se aplica a você da mesma forma que se aplica a mim. DIREITO todo ser humano tem, tanto você quanto sua vó, sua vizinha, o garoto que senta no canto de sua sala que você detesta e o travesti que você encontrou na última esquina. Não é você que determina isso. Não são os heteros que determinam isso. São todo e qualquer membro da sociedade em que vivemos e isso, quer você queira quer não, a bichinha da sua sala é, os gays são, EU também sou.

Essa é a beleza da democracia, não é mesmo? Você diz o que pensa, eu digo o que eu penso, e nós decidimos uma situação em que nossos pontos de vista possam caminhar em harmonia. Agora, o que não é aceitável é você falar de "vocês, heteros" como se o mundo fosse dividido entre sexualidades e vocês decidissem, sozinhos, como a coisa funciona. Eu tenho meu título de eleitor, e eu escolho quem vai me representar no governo. Eu tenho meu CPF e meu RG, e sou uma cidadã desse pais. E sou produtiva, trabalho e pago meus impostos direitinho. Assim como você, ou seus pais e avós e etc. Não há uma simples razão para que minha voz seja menos ouvida que a sua. E mesmo que eu fosse desempregada e analfabeta, ainda sim, não haveria uma só razão para que minha opinião importasse menos. Não é o seu preconceito em relação ao que eu faço ou não com minha vida pessoal que vai pesar nessa balança.

E em último lugar, sua visão sobre família é tão errônea e ultrapassada que eu nem sei por onde começar a comentar. Família NÃO é mãe, pai, dois filhos e um cachorro. Pode ser o conceito ideal que vem escrito em livros e leis, mas não é a realidade. Nunca foi. (Ou nunca existiram famílias em que o marido morria, e a esposa decidia cuidar dos filhos sozinha e não casar novamente?) Hoje, é menos ainda. Atualmente, é comum as famílias em que a mãe é mãe e pai ao mesmo tempo. Ou que o pai é quem cuida das crianças enquanto a mãe vai trabalhar. Ou que dois homens ou duas mulheres cuidam dos filhos. Ou ainda, famílias heterossexuais em que o homem e mulher se bastam, e não querem ter filhos. Em todas essas famílias, essa noção de responsabilidade que você tanto preza continua existindo. Mas de uma forma que você não reconhece, não é mesmo? Porque para você, responsabilidade é coisa de homem, para cuidar da mulher e dos filhos, extensões de suas propriedades. Bem, eu e minha namorada pensamos em nos unir um dia. Em adotarmos nossos filhos. Trabalharmos para prover a eles saúde, educação e muito amor. É uma responsabilidade conjunta, de nós duas. E a responsabilidade uma com a outra. Não aquela machista, de "prover" para o outro que é mais fraco, inferior. Não. Mas a de ajudarmos uma a outra a crescer, a viver, a ser feliz.

ISSO é uma família. Para mim, família é amor, acima de tudo. É poder contar com alguém que vai sempre estar com você, sempre estar ao seu lado. É ter um lugar pra voltar sempre que precisar. E isso, nem sempre, é o trinômio mamãe-papai-filhinho. Mas é o que cada um julgar necessário e confortável. É, mais uma vez, a opinião e o sentimento de cada um, e não cabe a nenhum setor da sociedade julgar qual é a família certa e qual é a errada, e por isso mesmo é que não devem existir padrões a se seguir.

Como dizem os americanos, esses são meus "dois centavos" sobre o assunto.

Se esse comentário acima do tal do "douglas" é verdadeiro ou não, eu nem sei. Tem tanto fake por aí na internet, né mesmo? Mas o triste é que tem MUITA gente que pensa assim. Mudar a mente de alguém, dificilmente a gente muda, porque a pessoa tem que mudar sozinha. Mas não custa nada tentar ajudar, né?

7 comentários:

As Beliscas disse...

Clap clap clap... ;)

Ana Duarte disse...

E salve a democracia e as pessoas inteligentes!

P. June disse...

Brilhante resposta! E parabéns pela paciência...um cara que não enxerga os direitos que os heteros têm e os gays não, que acha "errado essa luta por direitos iguais" e que, depois de escrever tanta merda, ainda diz que não tem preconceito, deveria fazer um favor à humanidade e se jogar num triturador de lixo. Que Jesus cure tanta ignorância!

Anônimo disse...

Deveria fazer um favor à humanidade e se jogar num triturador de lixo. [2]

Dra. Gô disse...

Muito bom esse post. Gostei mesmo.
Abraços da Dra.

http://doutoragosaphho.blogspot.com

sinta-se linkada.

entre3letras disse...

Parabéns, você é uma das poucas pessoas que conheço que ainda tem "disposição" pra responder algo do tipo.
É cada um que aparece, né?

Abraço,
Joana.

jackeline disse...

Esse é ex alguma coisa... mais um arrependido que pediu perdão e acha que foi salvo.afff

 
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