E a Parada do Orgulho LGBTT de São Paulo de 2009 se passou...
Foi a minha segunda parada. Eu quis ir muitas vezes antes, mas nunca tinha com quem ir. Antes, por achar que era hetero e depois, por me descobrir gay mas não ter nenhum amigo pra compartilhar essa alegria comigo. =P
Fui à de 2008, mas eu, a Pê e amigos ficamos na parte mais morna, lá na Paulista, quando os trios elétricos já haviam passado. Dessa vez, eu e Pê demoramos pra chegar, mas chegamos bem na muvuca da dispersão dos trios. E cara... Parada é aquilo. Virou Carnaval fora de época, não? Eu presenciei vários garotos puxando meninas para tentar beijá-las, outros tentando entrar no meio de casais biscoitos, também pessoas bêbadas brigando... e o propósito de se estar lá foi pelo ralo. Ou melhor, continuou, infelizmente, apenas no discurso no topo dos trios elétricos.
Porém, também presenciei vários casais de gays e lésbicas, abraçados, se beijando e curtindo a música eletrônica numa boa. Vi drags desfilando com suas fantasias maravilhosas, tirando um monte de fotos com o pessoal. Presenciei alguns casais heteros em que a garota, ou o rapaz, ou os dois usavam braceletes com as cores do arco-íris.
E concluí que pesando, ainda que tenhamos que consertar muitas coisas na Parada (assim como no mundo - o que foi aquela bomba atirada de um prédio?), é muito bom ter um dia pra nós no calendário. E que esse dia se multiplique e que, no futuro, todos os dias sejam dia para se comemorar o Orgulho Gay sem precisar de policiamento, de lugar separado e de proteger de bombas e xingamentos.
E aí? Alguém por aqui foi?
(E mais tarde, trago fotos!)
segunda-feira, 15 de junho de 2009
O pós-Parada
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sábado, 13 de junho de 2009
Feliz Dia Das Namoradas!
Ok, já passa da meia noite, mas só para constar...

um mundo mais colorido e um ótimo Dia das Namoradas para todas vocês. =)
Pê, I love you. s2
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
A arte de prestar um desserviço ao mundo
Momento ignorante do dia.
Estava eu, linda e ruiva chegando ao meu local de trabalho-das-segundas-feiras (porque gente, técnico de rádio e tv nunca tá no mesmo lugar) quando vejo que os alunos da instituição (sim, trabalho em uma universidade privada) haviam feito trabalho sobre diversas "tribos" e uma delas era...dos travestis.
Travesti? TRIBO? ...Ok.
Havia uns painéis espalhados pelo campus com góticos, chicleteiros, surfistas...e o dos travestis me chamou a atenção, por motivos óbvios. Cheguei mais perto para ler e... oh, my goddess. O que era aquilo? Pra começar, o texto do painel estava cheio de erros ortográficos - o que já, em si, é um fato triste para um trabalho de alunos do ensino fucking superior.
E lendo mais, vejo verdadeiras pérolas como "travestis são homens, mas que gostam de ser colocados no sexo feminino" e "eles fazem cirurgias e tratamentos para parecerem mais mulher, mas fazem o papel tanto de ativo quanto passivo".
E no final, a verdadeira frase de horror e asco: "A discriminação aos travestis não tem nada a ver com a discriminação das mulheres, é mais por eles se comportarem dentro do sexo feminino."
OI? De que maneira essa frase faz sentido?
Se eles são discriminados por quererem parecer mulher, é lógico que há uma certa discriminação de gênero. Aliás, eu acredito que a homofobia e a discriminação de gênero estão intimamente ligadas. Não é querer justificar tudo com "os homens odeiam as mulheres", mas porque a famigerada distinção de gênero é uma das mães da homofobia. Porque gays afeminados são mais "detestáveis" do que gays "discretos"? Porque uma mulher sapatão é feio, as duas lésbicas femininas se beijando é lindo, é sexy, é a fantasia de todo homem?
Porque a sapatão se nega a se pôr no lugar dela e ser mulher, ir fazer cabelo, comprar maquiagem e falar de novela. E a "bichinha", por sua vez, falha em ser macho, homem, e acaba se diminuindo a uma condição próxima daquelas menores, as mulherzinhas.
O que me deixa puta da vida é esse malfadado trabalho não ter se preocupado em analisar 1- os travestis, 2- o movimento LGBTT em geral e 3- a condição social da mulher. E acaba falando merda e cagando nos 3 quesitos.
HUMPF.
---
E pra falar de coisas mais felizes, eu e a Pê estávamos passeando pela Paulista hoje, na hora do almoço, e vimos que ela já está sendo preparada pra Parada! O arco-íris inflável já foi colocado no alto do Conjunto Nacional. E está tão bonitinho! Eu não tive uma boa recordação da Paulista nesse final de semana (quem me conhece sabe que estou sempre lá, amo esse lugar, mas nesse sábado acabei tendo meu celular roubado na esquina com a Augusta), mas ver o arco-íris de novo resgatou meu amor por aquele lugar.
Não vejo a hora de chegar dia 14. De bandeirinha na mão e pulseirinha no braço, né Pê? Super romântico se beijar no meio da Parada e saber que você também tá colaborando com o movimento!
Confiram a programação!
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E só mais um comentário: viram a cena lésbica (cof cof) de Poder Paralelo? Ainda não? Pois deem uma olhada:
Sofrível, não? Absolutamente nada de mais, mas demais já pra uma emissora como a Record. O grande problema, pra mim, é o diálogo risível. Quem diz aquelas coisas na vida real? E meu, jogo perigoso?
Só vale postar mesmo pelas caras e bocas de Paloma Duarte. Vá, ela tem um sex appeal enoooorme!
Rabiscado por C. June às 13:45 Permalink 4 comentários
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
Pesquisa Perseu Abramo + Acho que gosto da Lilly Allen...
Olá, pessoas!
Bem, como vocês sabem, eu tenho uma namorada fofa, a Pê. E ela está se formando em Direito - o que significa que ela terá uma profissão bem mais séria e bem paga que a minha, ê partidão! =P - e está, nesse momento, fazendo um trabalho sobre união homoafetivas. Me mata de orgulho!
O grupo da Pê pesquisou sobre o assunto e ela me mandou por email os resultados de uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo sobre "intolerância e respeito às diferenças sexuais" no Brasil, que tem resultados muito interessantes e importantes: (Vocês podem conferir a pesquisa na íntegra aqui)
- 4% se envolveram de alguma forma com pessoas do mesmo sexo, mas apenas 1% se considera gay e 1% bissexual.
- 49% são em parte ou totalmente contra a legalização da união conjugal entre pessoas do mesmo sexo
- 37% consideram ruim a presença de grupos LGBTT na mídia
- 70% acham que a discriminação contra LGBTT é um problema das pessoas e não deveria ser resolvido com interferência do governo
- 99% manifestam algum tipo de preconceito, mesmo leve, contra LGBTT
- Mais pessoas são preconceituosas no Nordeste, mas ele é mais forte no Centro Oeste. É maior também nas regiões rurais do país. A maioria dos homens tem preconceito forte e moderado, enquanto entre as mulheres, é maior um nível de preconceito "leve".
- A existência de preconceito faz uma curva em relação à renda familiar: diminui dos mais pobres aos mais ricos, mais aumenta novamente para aqueles que ganham mais de 10 salários mínimos.
- Protestantes históricos, evangélicos pentecostais, neopentecostais e católicos são, em ordem decrescente, os mais preconceituosos.
- E um dos dados mais tristes: 98% dos que se indentificam como LGBTT manifestaram preconceito contra o grupo, sendo 3% moderadamente preconceituoso.
Temos que mudar a cabeça das pessoas à nossa volta e a nossa também, gente. Temos que lutar para que a homofobia não exista nem em grupos radicais que atacam e agridem gays e nem no ambiente de trabalho, com aquele seu colega que insiste em chamar os outros de "viadinho".
E falando nesse assunto, vi no Dykerama uma ação bem divertida contra a homofobia. Lily Allen fez uma música chamada "Fuck You", em que manda um grande "foda-se" para a galera homofóbica, racista, pró-guerra... em suma, de mente pequena da Inglaterra. Pois bem. Nos States, um youtuber chamado steviebeebishop juntou ns colegas de youtube e fez um vídeo bem legal com a letra da Lily:
O vídeo ganhou já uma versão francesa e agora o blog Stonewall quer fazer uma versão brazuca. Quem quiser participar, é só enviar seu vídeo com sua ideia da música da Lily Allen até o dia 15 de junho. Bem legal a ideia!
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E pra não deixar esse post todo sérião, vamos falar de TV.
E a Globo que, depois de colocar a policial sapata feita por meu-gaydar-super-apita-pra-ela Hermila Guedes em Força Tarefa (ai, eu adooorei aquele "entendeu?"), agora traz Ângela Vieira e Marília Gabriela (oi?) na nova minissérie do Aguinaldo Silva, Cinquentinhas (de novo, oi?).
A Ângela faz uma jornalista que tem um romance com uma fotógrafa, que seria a Marília Gabriela. Mas antes que a gente fique animada, claro que é só uma participação especial. E é claro que com certeza, não vai rolar nem um beijinho. E é claro que, com a atuação sofrível da Marília "como atriz sou uma ótima entrevistadora" Gabriela, nem vai ser lá aquelas coisas.
Mas né. Vamos ser otimistas, estão pipocando cada vez mais personagens, e o que importa é a visibilidade e tal...
...mas eu ainda queria ver a sargento Selma dando um beijo muito mais caliente na namorada do tentente Wilson. E virando pra ele e dizendo "e você, entendeu também?". A gente sonha, né?
Rabiscado por C. June às 15:30 Permalink 3 comentários
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
Revolution, girl style.
E eu nem vi o tempo passar. Mas, com todo o atraso, tenho que postar sobre um evento super legal que fui no fim de semana passado - porque hoje já é meio fim de semana não?
Bem, como vocês devem saber, no domingo passado tivemos uma edição versão "mini" do LadyFest. O evento aconteceu no Hangar 110, no Bom Retiro, em São Paulo. E eu, como não poderia deixar de ser, fui prestigiar esse evento importante para a música feminista e o feminismo em geral paulistano.
(E também, mesmo se não quisesse, seria arrastada pela namoradinha, a Pê, que é feminista "roxa" e fanzoca do Dominatrix, uma das bandas que tocou no festival. )
E lá fomos nós, com o meu Ka, minha câmera digital fuleira e nossas caras e coragem. Chegamos quando o debate sobre feminismo jovem e alternativo já tinha começado, mas tivemos tempo de vermos boa parte dele e boas perguntas do que pessoal que estava ali. Não tinha muita gente não, vou ser sincera. Mas é sempre bom ver gente interessada em ouvir e conversar sobre o assunto.
Eu que sou super iniciante e amadora sobre a história do movimento adorei a oportunidade de ouvir de gente que realmente milita na causa falar um pouco sobre suas experiências. As comandantes do debate eram Tiely do Hip Hop Mulher, as meninas do Wendo SP e Elisa Gargiulo, vocalista do Dominatrix, colunista da MTV e ativa em mais outras milhares de causas.

a galera no debate
Depois disso, iniciaram-se os shows. Primeiro, veio o pessoal da Ignis, banda que ganhou um concurso pra tocar a abertura do festival. A vocalista subiu no palco com uma carinha meiga e nervosa, mas quando a música começou...cara, da onde saíram aqueles gritos? Animal!


Depois foi a vez do The Bonsai Kitties, que estavam lançando seu novo CD, Dykeland. Eu lembrava de ter ouvido falar delas lá no Dykerama, e tinha assistido uns vídeos e gostado do som. Mas cara, ver ao vivo é bem melhor, e elas são boas mesmo. Dree, a vocal, é uma frontwoman e tanto. Grita, levanta o punho, faz dancinhas... e canta muito bem. Foi minha segunda banda preferida do evento, tanto que eu e a Pê acabamos levando o CD delas depois... e ele não sai do cd player do meu carro desde então!

E abaixo, um trechinho de d.a.a.b:
Então, subiram no palco os caras do No Class, banda old school de Campinas. Eles já têm uns anos de estrada, mas confesso que não conhecia. A vocalista canta bem e tem estilo. Mas né... não quero soar preconceituosa nem nada, mas não tem tanta graça quando há meninos na banda. =P
Depois, Tiely voltou pra subir ao palco com Rúbia (do RPW) e mostrarem um pouco de Hip Hop pro evento centrado no punk rock/riot grrl. As duas cantaram músicas pra agitar a galera, mas também sobre assuntos sérios. Rúbia fez uma rima sobre uma mulher que passa por um aborto que é de arrepiar.

Rúbia e Tiely
E aí, foi a vez de Dominatrix. Eu nunca tinha visto nenhum show ao vivo da banda - salvo um vídeo ou outro - e eu não tinha ideia de como ia ser. Mas foi uma surpresa muito agradável. Elisa é muito segura e centrada no palco, e as outras integrantes são igualmente concentradas. A música soava muito bem ao vivo, e Elisa estava com uma voz maravilhosa... e a galera toda empolgada, batendo cabeça, gritando junto, foi muito bom. Catártico.


E o destaque foi pro momento em que elas tocaram "Esquece a Volta". Elisa cantou o tempo todo olhando pra cabine de som, onde estava sua esposa, Andrea. E no final, ainda fez uma dedicatória pra sua "gata". Como disse Pê, "tão fofo!"
E tem vídeo disso!
Enfim, foi um evento gostoso, com um debate bem interessante e shows bem legais. Não era exatamente o que eu esperava do LadyFest, mas como era a versão mini, não dava pra ser muito grande. Mas fez bem o que queria: informar e divertir.
E alguém por aí? Foi também?
Rabiscado por C. June às 16:20 Permalink 6 comentários
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terça-feira, 19 de maio de 2009
Sobre o feminismo nosso de cada dia: post I
Garota: ... e minha próxima compra será um estojo de maquiagem com uns 10 compartimentos, é importado, custa 50 reais!
Garoto 1: Ué, por que gastar 50 reais em um estojo de maquiagem?
Garoto 2: *interrompendo a garota antes desta responder* Porque ela é mulher, oras!
Garota: *rindo* É isso mesmo!
Escutei, sem querer - afinal, estava sentada ao lado deles - essa conversa, ontem à noite, no metrô. Minha primeira e instintiva reação foi virar-me bruscamente e fechar a cara. Tenho certeza que os três notaram minha reação, e voltei logo para a revista que estava lendo.
Mas fiquei com aquilo na cabeça. Algumas estações depois, encontrei-me com P. e contei sobre o que tinha acontecido. Aquilo havia me incomodado. Tantas coisas erradas naquela conversa...
O garoto concluiu que a única e lógica razão pela qual uma garota compraria um estojo de maquiagem caríssimo é porque, bem, ela é uma garota. Logo, ela gosta de maquiagem. Não só isso: ela prioriza tanto isso que compra um estojo por um preço que ele julga excessivo.
E na pergunta do outro? O tom de desprezo, de sarcasmo. Ele tem certeza da futilidade de se comprar um estojo de maquiagem, pior ainda, por 50 reais.
E o riso condescente da garota, concordando com os dois.
P. virou-se pra mim e disse que a resposta que a garota deveria dar, a interrompida, seria "sim, gasto mesmo porque sou obrigada por essa sociedade machista e hipócrita a usar maquiagem".
Não, é um tanto pior. A garota não é obrigada a usar maquiagem. Ela é obrigada a gostar de maquiagem, sem nem perceber. É obrigada a gostar de maquiagem e não de ferramentas. É obrigada a gostar de maquiagem porque seria isso que a definiria como mulher, que a limitaria e categorizaria como mulher.
E são essas limitações e diferenciações de gênero, se podemos assim chamá-las, que me irritam. Desde pequena, era só me dizer que eu não poderia fazer tal coisa "porque eu era menina" que eu já me sentia desafiada. Oras, por que não? Por que o fato de eu ser uma menina automaticamente me proibida de alguma coisa?
E é especialmente perigoso por estar tão arraigado em nossa sociedade que nem mais notamos. Estamos tão acostumados a colocar roupinhas cor de rosa em menininhas e roupinhas azul em menininhos que nem percebemos que isso é algo essencialmente cultural. Estamos tão acostumados a não deixar uma mulher carregar peso que nem notamos que isso é uma forma de diminuir o caráter do gênero. Oras, você não pode ser forte, você é mulher. E força é um traço masculino e viril.
A verdade é que faz tempo que isso não faz mais sentido. Principalmente numa sociedade como a nossa. Não há mais espaço para a limitação do gênero feminino quando conquistamos profissões antes apenas exercidas por homem, ou participamos de esportes antes reservados aos homens, ou tomamos o lugar destes na liderança do lar. Como não dizer que as mulheres não são fortes, corajosas, decididas nesse contexto?
Acredito que não há nada que nós mulheres não possamos fazer por incapacidade intrínseca de nosso gênero. E mais ainda, não acredito que sejamos limitadas por nosso sexo a gostos e desgostos e preferências de qualquer tipo. Conheço muitas meninas - muitas heterossexuais, para desmitificar outro estereótipo - que não ligam pra roupas, sapatos, maquiagem, cabelo ou tantas outras coisas que temos que incorporam porque, dizem, é "coisa de mulher".
Não acho errado se gostar de maquiagem, oras. Eu mesma tenho meus delineadores e blushes e máscaras. Mas triste é ver a garota aceitar, com um sorriso, um comentário tão machista, massacrante e limitante.
Quem sabe um dia vamos parar de olhar pro outro e classificá-lo logo de cara, como homem, mulher, gay, lésbica, negro... e olhá-lo como ser humano. E só. =)
---
E mudando um pouco de assunto, na trilha do seriado global Força Tarefa, a novela da Record Poder Paralelo vai retratar, surpreendentemente, um casal lésbico - interpretados pelas belas Paloma Duarte (ela tem um sex appeal, não?) e Adriana Garambone.
Surpreendentemente, eu digo, porque é uma novela da Record. E todos nós sabemos o que a Igreja Universal, que é dona da Record, acha dos homossexuais.
Apesar de alardear a informação, a equipe da novela já reclama que as cenas provavelmente serão bem editadas, principalmente porque boa parte da novela já é censurada por seu conteúdo.
É esperar pra ver... ou pelo que estou prevendo, pra não ver.
Rabiscado por C. June às 15:23 Permalink 5 comentários
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
Untitled I
Bem, sumi por alguns dias... pra minha eterna sorte, meu notebook está com probleminhas (tudo leva a crer que seja a placa de rede) e não posso me conectar... buááá.
Pelo menos posso usar a internet aqui no trabalho - mesmo que um pouco escondidinha! =P
Hoje trago alguns videozinhos que vi pela net e que trazem o LGBTT como temática.
Primeiramente, temos a já famosa - pelo menos na world wide web - cena do beijo lésbico de Força Tarefa, a nova série da Globo filhote de Tropa de Elite com Cidade dos Homens.
(Pra poupar-se de todo o desenrolar do plano estratégico do episódio e ir pra parte "interessante", corra pros 07:45 minutos.)
Ok, o beijo é bem mixuruquinha. Mas é uma avanço para a tão tradicional e retrógrada tevê brasileira. Beijo-em-mulher-pra-provar-que-é-sapata não é bem um beijo lésbico, mas há algo sobre a personagem de Hermila Guedes que me deixou interessada. (Admito que adorei o "entendeu?" dela depois do beijo...)
Vale esperar se a Globo vai aproveitar mesmo a personagem para uma história mais elaborada ou se ela vai ficar sendo a policial sapatona que veste flanela e fala grosso pra sempre. Não que eu vá assistir à Força Tarefa pra conferir...
...
A próxima cena é de Little Ashes, filme que conta a história da amizade de três personalidades das artes, Luis Buñuel (um dos maiores cineastas da história), Federico García Lorca (um dos maiores escritores da história) e Salvador Dalí (um dos maiores pintores da história). É de se pensar o que tinha na água que saía das torneiras da moradia de estudantes em que os três viviam, porque olha, vai ser um triozinho talentoso lá na...
Mas o post trata de vídeos com temática GLBTT, e essa, aaah, García Lorca e Dalí tinham bastante em sua amizade colorida. Diz a lenda que Lorca era apaixonado por Dalí. Já Dalí achava aquilo tudo divertido e mais uma maneira de perverter e subverter a ordem vigente do que, bem, sentimento mesmo. Seja como for, Lorca e Dalí tiveram um misto de amizade bem afetiva e romance tórrido, como podemos ver nessa bela cena - simples, suave e com uma trilha sonora maravilhosa:
Não vejo a hora de Little Ashes (que aqui será Poucas Cinzas) estrear no Brasil. Já seria suficiente pela três personalidades retratadas no filme, mas depois de ver essa cena...
...
E por último, pra mostrar que enquanto a TV brasileira caminha com passos de formiga e sem vontade no que diz respeito a temas polêmicos (com exceção da Glória Perez, claaaro, que adora um tema polêmico, leia-se completamente despropositado), o cinema brasileiro consegue traduzir histórias complicadas e delicadas em filmes brilhantes como esse, do trailer:
É claro que nunca podemos julgar o filme pelo seu trailer, mas se o filme causar um pouco do arepio que o trailer me causou, tenho certeza que vai ser tempo e dinheiro bem gastos na sala de cinema. Muito bem gastos.
Rabiscado por C. June às 16:18 Permalink 3 comentários
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domingo, 3 de maio de 2009
Todo Poderoso Timão!
Ok, o McP normalmente é sobre assuntos ligados ao mundo GLBTT, mas hoje, eu venho falar sobre a vitória do meu time de coração...
Ok, então saio do armário como corintiana sofredora!
A verdade é que eu mal sei a escalação do time - com exceção do Gordinho, que desse todo mundo fala - e eu nem assisto a grande maioria dos jogos. Mas algo sobre o Corinthians me traz um sorriso nos lábios.
Quando era criança, queria ser como meu pai. Exatamente como ele, até consertar circuitos elétricos eu queria - mas minha mãe me mantinha longe deles pra não correr o risco de explodir a fiação elétrica da casa. E lógico que torcer pro mesmo time fazia parte do pacote.
Mas quando cresci, ouvi a história de meu avô, que não cheguei a conhecer. Corinthiano roxo, ele comemorou o título de 1977 mesmo após ter sofrido um AVC, segurando a bandeira entre suas mãos forte enquanto meu pai o levava de carro para a Paulista. Minha mãe sempre dizia que ele lembrava daquele dia com lágrimas nos olhos, até sua morte.
E daí, ver o símbolo do Timão era lembrar da história de meu avô, um cara simpático, educado e humilde, que eu gostaria muito de conhecer.
E é essa admiração pelo meu pai e esse respeito pelo meu avô, juntando com o histórico de fidelidade da torcida do Coringão que me fazem gritar e pular toda vez que escuto "Aqui tem um bando de loucos...!"
É isso aí, Timão! Parabéns pelo título!!!
E parabéns também pro Atlético Paranaense, que é meu time do coraçãããão quando eu estou em Curitiba! =P
Rabiscado por C. June às 21:20 Permalink 2 comentários
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quinta-feira, 30 de abril de 2009
Mamães em Dobro / Our own Personal Jesus
Eu vivo mudando de opinião - apesar de ser cabeça dura e teimosa, posso ser muito fluída em minhas vontades - e ora digo que não tenho jeito pra ser mãe, não sei cuidar de crianças e me irrito fácil com elas; ora digo que quero muito ter uma família com minha P., com um casal de filhos, cachorro, gato e papagaio. Mas tanto a C.-futura-mãe-doida-e-coruja quanto a C.-não-quero-ouvir-choro-de-criança se emocionaram com essa notícia:
Munira e Adriana, o casal de lésbicas que viraram tema de reportagem por terem engravidado (Munira cedeu os óvulos e Adriana, o útero) finalmente viram nascer, fofos e saudáveis, seus gêmeos.
A notícia é da revista Época, que acompanhou o nascimento das duas crianças. De acordo com a reportagem, muitos membros da família das duas mães assistiram ao parto e Munira pôde ficar ao lado de sua companheira sem problema algum - afinal, o diretor do hospital disse que é direito da parturiente de escolher quem fica ao seu lado na hora do procedimento.
Eu me emocionei quando li essa notícia, de ver o quanto essas duas mulheres se amam e amam seus bebês, e ver o apoio da família e da equipe médica que proporcionou esse momento que, pelo visto, foi lindo, incrível e livre de qualquer tipo de julgamento e preconceito.
Como diz a matéria da revista no final, isso é mesmo um indício de que as coisas vão precisar mudar daqui pra frente. E parece que estão mudando pra melhor!
Muita felicidade às mamães e aos bebês fofinhos!
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E já que estamos em clima de comemoração, eu já vou guardando o meu dinheirinho e meu espaço no calendário porque, dia 24 de outubro, tem show do Depeche Mode aqui em Sampa!
No site da banda, já foram confirmados dois shows; um no Rio no dia 22 e outro em SP, no dia 24. E os ingressos já começam a ser vendidos dia 25 de julho. Gente, bota planejamento nisso. Os caras já têm datas marcadas pra fevereiro de 2010!
Bom, eu já sei de alguns amigos meus que com certeza não vão faltar nesse show. Será que eles tocam Personal Jesus e Enjoy The Silence? Ai, eu vou! =D
Assistam aí embaixo os clipes de Enjoy The Silence e Personal Jesus pra dar um gostinho!
Rabiscado por C. June às 09:47 Permalink 2 comentários
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terça-feira, 28 de abril de 2009
Papéis Trocados
Enquanto um diz a coisa certa...
Hugh Jackman, mais uma vez, foi questionado sobre sua sexualidade ao dar uma entrevista. Sua resposta?
"Eu ficaria feliz em negar, porque eu não sou gay. Mas ao fazer isso eu estaria dizendo que a homossexualidade é vergonhosa, e não há nada de vergonhoso nisso."
Aaaah, Hugh é mesmo um gentleman. Além de talentoso, super elegante e com uma ótima cabeça. E cara, o Wolverine dele é bom demais! (Sim, tenho uma pequena queda pela série X-Men. Queria ser a Vampira quando criança! xD)
E está certíssimo. Questionamentos sobre a vida pessoal de celebridades sempre vão existir. Infelizmente, nós somos seres um tanto quanto curiosos. E apesar de achar um exagero ter um bando de fotógrafos seguindo alguém 24 horas só pra ter uma foto dessa pessoa com um Starbucks na mão, confesso que gosto de saber se fulana é casada, se ciclana gosta de rock ou, claro, se tal atriz maravilhosa vai finalmente admitir que gosta de mulher...xD
Porém, uma coisa é ficar perturbado com os jornalistas futricando sobre sua vida, e outra completamente diferente é se sentir ofendido ao ser questionado sobre sua sexualidade. Já passou do tempo de ser uma pergunta normal como qualquer outra. É só balançar a cabeça, sorrir e sair andando...
Mas continuando com a notícia, já Rupert Everett, gay assumido, vem me dizer uma asneira dessas...
“E o que são essas pessoas que se submetem a tratamentos de fertilização in vitro? Se você quer ter filhos, ótimo. Mas essa coisa de dois gays doarem esperma para engravidar uma lésbica é bem esquisito. Se eu tivesse o impulso para ser pai, eu adotaria. Essa coisa de forçar a questão da parentalidade para homens gays é chata. Casamento? Filhos? Por favor. Eu quero ser ilegal. Eu quero viver fora do mainstream. Ou estou errado? Isso precisa mudar. O movimento está cheio de bichas velhas e de classe média que se preocupam em vestir Abercrombie & Fitch. Todos têm o direito de fazer o que querem fazer, mas...”
Adoooooro pessoas que terminam uma crítica com "todos têm direito de fazer o que querem, mas...". É como aqueles que dizem "olha, sem ofensa, mas..." e vão lá e ofendem. Rupert, que vive no movimento há anos e deve ter sido vítima de preconceito e homofobia (infelizmente, não somos todos) deveria ter uma cabeça mais aberta, não é?
Afinal, ninguém está forçando o moço a casar e ter filhos. E se eu e minha mulher quisermos ter um filho com o esperma de um amigo gay, quem é Rupert na noite pra dizer que não podemos?
É... mais triste que ver um hetero homofóbico é ver um gay homofóbico...
Rabiscado por C. June às 11:23 Permalink 1 comentários
The first rule about fight club is...
Essa é de dar arrepios (no bom sentido)!
O site de fotografia erótica alternativa - sim, isso existe! - Suicide Girls publicou um ensaio baseado no maravilhoso filme Clube da Luta. Em se tratando de Suicide Girls, pode esperar "modelos" bem diferenciadas, cheias de tatuagens, piercings, cabelos coloridos e corpos não-tão-perfeitos. E em se tratando de Clube da Luta, pode esperar corpos suados e sujinhos, bebidas, um cenário sombrio e porradas pra todo lado!
Uma foto pra dar um gostinho...
Você pode conferir o resto do ensaio aqui!
Eu tenho minhas reservas quanto a certos aspectos do Suicide Girls, mas às vezes elas fazem uns ensaios de ótima qualidade e criatividade. E esse é um deles, pra quem gosta de garotas nuas tatuadas e com piercing e fotografia temática como eu. ;D
Post dedicado à P...só não vai ficar olhando muito, hein gatinha?
Rabiscado por C. June às 10:50 Permalink 1 comentários
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quarta-feira, 22 de abril de 2009
"...e a paz mundial!"
Um momento inusitado mas, com certeza, positivo!
Bem, estávamos no concurso pra decidir quem seria a Miss USA. Um dos jurados era Perez Hilton, assumido blogueiro das celebridades. Na hora de entrevistar as candidatas, Perez perguntou à Miss Califórnia uma pergunta óbvia (em se tratando de Perez), simples e objetiva. "Você é a favor do casamento gay?" Bem, vejam a resposta.
É lógico que a resposta conservadora e preconceituosa acabou fazendo com que Carrie Prejean perdesse a coroa para a Miss Carolina do Norte. O próprio blogueiro admite que foi a resposta de Prejean que a desclassificou. E isso acabou gerando um debate enorme nos EUA, com Perez sendo entrevistado por um dos jornalistas mais conceituados do país, o Larry King.
Na entrevista, Perez diz que o concurso quer escolher uma representante da beleza americana, e um representante dos EUA não pode expressar uma opinião tão politicamente correta. Perez ainda afirma que estava lá para escolher "minha miss. E se ela expressa essa opinião, ela está alienando a mim, e a todos os gays e lésbicas desse país."
Não contente, Perez colocou-se a perguntar para as celebridades que frequentam seu twitter o que acham do casamento gay. E gente como Miley Cyrus (opa, ela não era evangélica?) e Britney vieram expressar suas posições a favor do casamento gay.
Bem, eu não ligo a mínima para concursos de miss. Aliás, meu feminismo crônico me leva a enojar esse tipo de competição, que é completamente fútil e sem propósito e só serve para reafirmar os parâmetros ideais - e irreais - de beleza. Mas dá gosto de ver que, em uma competição tão conservadora quanto o concurso de Miss USA uma candidata seja rejeitada por ter uma cabeça tão pequena.
Estou com Perez Hilton nessa. Se você está num concurso como esse, você está pra agradar os juízes. E ainda bem que hoje em dia, ser contra o direito dos gays ofende os juízes. Imagina se tivesse acontecido o contrário e a Miss tivesse sido desclassificada por ser a favor do casamento gay por juízes conservadores? Nós iríamos nos espernear feito doidos, mas os conservadores religiosos chatóides americanos iam achar uma decisão correta, que respeita os valores do país. Agora eles estão esperneando dizendo que tiraram a liberdade de expressão da garota.
E vocês, também achavam que nunca iriam ouvir conservadores pedindo liberdade de expressão? E quem diria que negar o casamento gay seria o politicamente incorreto um dia?
(Em tempo: eu discordo das atitudes do Perez Hilton. Ele adora ser polêmico só pra aparecer e também adora transformar em escândalo situações que são completamente normais. E ele é um tanto quanto preconceituoso em seu blog... mas que estou adorando toda essa movimentação de "ei, celebridades, levantem a mão quem é a favor do casamento gay!" ah, eu estou. =P)
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quarta-feira, 15 de abril de 2009
Piece of my heart
Depois de algumas notícias, um post um pouco pessoal. Um desabafo, eu diria.
Eu tenho uma namorada. Uma linda, inteligente e fofa namorada, e estamos juntas pra mais de um ano. Como é muito comum com casais como nós, nem minha mãe nem os pais dela gostam muito da ideia (leia-se são completamente contra a situação).
Esses dias, alguns fatos que ocorreram - certos ataques ao nosso relacionamento - me fizeram meditar e tentar entender porque as pessoas são tão contra relacionamentos como o nosso. Principalmente como os pais. Corrijam-me se estou errada; afinal, não tenho filhos, mas não seria a razão principal para o sorriso de um pai ver seu filho feliz?
Um amigo meu, gay, me disse uma vez que não gostaria que o próprio filho fosse gay. "Porque eu sei como é difícil, e não quero que ele passe pelo que eu passei." Oras, passar por o quê? Pela batalha diária que travamos em ser o que quisemos ser? Por isso, todo mundo vai passar. Em maior ou menor grau. Você pode ser heterossexual, mas lutar para poder ser artista plástico em uma família que insiste que você seja médico. Logicamente, isso não passa nem perto do preconceito que sofremos em todas as esferas da sociedade, mas é um exemplo de barreira que alguém tem que atravessar. E todos nós temos que atravessar barreiras.
Eu digo que não espero que meu filho seja absolutamente nada. Eu vejo meus futuros rebentos como páginas em branco. Seja um artista plástico hetero, um advogado gay ou um policial bi, eu quero que ele seja aquilo que ele deseja, aquilo que ele se percebe ser. Sem interferência alguma do que quer que eu espero dele. Claro que um lado meu quer que meu filho compartilhe meu gosto por arte, cinema, literatura, música, mas o que posso fazer se ele quiser ser matemático? E pior, um matemático hetero? *risos*
Eu e a namorada compartilhamos uma certa pressão de nossos pais para que sejamos as garotas-modelo. É chata mas contornável no meu caso, massacrante e doentia no dela. E isso deixa sequelas gigantescas na gente - julgo que é por essa sequela que até hoje não consigo cogitar relevar para meu pai que gosto de outras meninas. Sentimo-nos culpadas por não sermos o que eles desejam que sejamos. Mas ora, somos o que somos. E não isso exatamente o que devemos ser?
Nossa civilização se ocupou de criar regras e categorias nas quais devemos nos encaixar. E por quê? Por que devemos ser essa ou aquela coisa? Por que devemos pensar mais em dinheiro que amor? Por que devemos seguir o padrão de casar-ter filhos-envelhecer juntos-morrer?
Essas regras não só eliminam as diferenças como nos impedem de ver aquilo que é mais rico no ser humano: a fluidez. A maneira como certa pessoa se sente atraída por homens, outra por mulheres, outra pelos dois. A maneira como aquela pessoa é mais comunicativa, e aquela, mais introspectiva. A beleza está em todas essas nuances. E por que não apreciá-las todas?
Mas é muito difícil para as pessoas se livrarem dos padrões. Eu mesma passei boa parte da minha vida tentando encaixar-se neles até perceber que não, não quero casar, não, não quero viver com um homem, não, não quero ser o que vocês esperam que eu seja.
Os acontecimentos recentes que citei no começo do post me empurram para o dia que terei que assumir tudo isso a meu pai, a figura emblemática em minha vida. Talvez esse dia será o dia em que me libertarei de vez da necessidade de ser alguém além de mim mesma. Mas isso é papo pra outro post. Enquanto isso, fico tentando entender porque não conseguimos ser felizes apenas ao ver o outro feliz, da maneira que ele é, de peito aberto.
Rabiscado por C. June às 13:58 Permalink 6 comentários
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quinta-feira, 9 de abril de 2009
Bad bad America, no Wang for you
Ok, a notícia não tem a ver com homofobia, mas tem muito a ver com preconceito, hipocrisia e desrespeito aos direitos de uma minoria. Uma infeliz curiosidade.
Nos EUA, políticos discutiam o problema dos imigrantes com a legislação eleitoral - mais particularmente, um político asiático-americano discorria sobre a dificuldade de identificação de imigrantes asiáticos devido ao seus sobrenomes e nomes estrangeiros. De repente, uma representante republicana (jura?) do Texas (sério?), a inteligentíssima Betty Brown, emite a seguinte brilhante opinião:
"Em vez de fazer todos nós aprendermos chinês - eu entendo que é uma língua bem difícil - por que você e seus cidadãos não adotam um nome com o qual nós pudéssemos lidar melhor logo?"
É lógico que a declaração gerou uma polêmica absurda, mas a Sra. Brown não voltou atrás. Ainda disse para o homem que "a sugestão era pra ajudá-los, não dava pra perceber?" e que a troca de nome seria "apenas para propósito de identificação", e se negou a se desculpar. E pra piorar, disse que a culpa da polêmica era do partido Democrata, que tentou transformar a situação numa questão de raça.
Oh, Dona Betty Marrom, a senhora acha que é uma questão do quê?
É claro que a idéia da supracitada vai ao encontro de qualquer senso de multiculturalismo e respeito à identidade das minorias. Sem contar que os sobrenomes "americanos" mais comuns têm influências européias, mais precisamente germânicas, francesas e irlandesas. Eles mesmos não elegeram um Barack Obama?
Se me aparecem com essa no Brasil... metade de meus amigos, descendentes de japoneses, teriam que ser criativos pra fazer uma tradução bem brasileirinha!
(fui achar essa notícia no blog do fofoqueiro Perez Hilton, que aparentemente não vive só de fofoca!)
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E pra não deixar de fora do post o lado LBGTT do blog, uma dica que peguei do LeBiscoito.
Anyone But Me é uma websérie que conta a vida de Vivian, uma garota lésbica assumida que se muda com o pai, um bombeiro que socorreu as vítimas do 11 de setembro e ficou com algumas seqüelas, para uma cidadezinha no interior, deixando sua namorada, a linda Aster, e seus amigos pra trás em NY. Por enquanto, a websérie tem apenas 6 episódios, que falam um pouco sobre mudar de casa, de escola, fazer novos amigos e lidar com um relacionamento à distância.
Minha opinião? A websérie tem cenas fofíssimas, as atrizes que fazem Vivian e Aster são ótimas, e o programa consegue balancear bem situações particulares à quem vive a dureza de ser homossexual com outras mais genéricas, que tratam de ser adolescente, independente da orientação sexual.
Já comentei que as atrizes são ótimas? Com destaque pra garota que faz a Aster... A sra. June que me perdoe, mas ela é maravilhosa! Muito ator adolescente medíocre (leia-se Malhação) podia aprender com ela... =P
O site oficial para os vídeos é esse, mas no LeBiscoito você encontra os 2 últimos episódios com legenda em português!
Rabiscado por C. June às 22:10 Permalink 3 comentários
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Welcome me to a town called hypocrisy...
E não é que decidiram exibir o tal beijo lésbico na novela australiana?
Mas foi um tanto quanto comedido...confira abaixo:
Ah, mulheres de farda, que maravilha!
Sim, uma cena tímida. Contudo, ela está aí. Bem melhor do que decidirem acabar totalmente com o casal, tipos, explodindo um shopping com as meninas dentro. Não?
É ridículo cenas como essa ainda gerarem tanta polêmica. Em meio a erotismos exacerbados e bundas e peitos presentes só pelo apelo barato, duas garotas se beijando ainda é considerado um absurdo. Imagino o que essas senhorinhas pensariam se assistissem às cenas de The L Word... hihihihi!
Aliás, já que tocamos no assunto do seriado preferido entre 9,5 de 10 lésbicas (e bis e heteros curiosas) no mundo, a produtora do seriado Showtime está agora com o projeto de reality show que mostraria às pessoas como é a experiência de assumir a homossexualidade para família e amigos.
O programa, que vai se chamar Way Out, pretende dar maior visibilidade ao assunto e ajudar famílias que estejam passando pela situação, pessoas que querem se assumir para seus entes queridos e não sabem como e até mesmo gente que ainda não se revelou nem pra si mesmo.
Acho que é uma boa ideia. Reality shows não são lá conhecidos por terem muito conteúdo, mas esse programa pode ser uma boa maneira pra abordar o assunto. Colocar sua mãe e seu pai na frente da TV, ligar no canal e dizer "erm, já que estamos tocando no assunto..."
Eu sei que um programa que retratasse como é a vida LGBTT de verdade ajudaria horrores aqui em casa. Os estereótipos, infelizmente, ainda estão muito marcados. Por aqui e por aí.
Rabiscado por C. June às 20:41 Permalink 3 comentários
terça-feira, 31 de março de 2009
Sweet child, where do we go now?
Com o risco de parecer minha finada avozinha querida falando, eu me pergunto aonde esse mundo vai parar?
Não sou das pessoas mais otimistas em relação ao planeta. E também não sou daqueles que acham que "o mundo está acabando" porque, francamente, usar a filha como escrava sexual por 24 anos e ter filhos com ela, matar os pais friamente ou invadir uma escola e atirar em crianças indefesas não é privilégio de nossos tempos. É, infelizmente, a característica da raça humana. Desde que nos tornamos um ser pensante, um homo-qualquer coisa, que nos dedicamos a coisas inteligentes, criativas e inovadoras, seja para o bem ou não. (E não era inovador surgir na natureza um ser que mata por prazer?)
Contudo, se tem uma coisa que foge à minha compreensão, que me escapa explicações evolutivas, e que me deixa completamente pessimista em relação ao mundo, é a falta de capacidade do ser humano em enxergar coisa que está aí, aos seus olhos, mais simples e direcionado que cartilha de criança.
Veja bem. Não quero dizer aqui que essas notícias me chocam mais do que atiradores em escola infantil. Mas eu consigo compreender que o tal atirador era uma pessoa doente, que precisava de ajuda, de tratamento, de qualquer meio de contenção e não teve, e acabou permitindo que um lado seu, selvagem e violento, tomasse controle de si. Isso não o isenta, mas explica. É uma visão racional.
Essas notícias, contudo, tem a ver com pessoas supostamente sãs, que por não verem um palmo à frente do nariz, acabam cometendo as mais absurdas idiotices. Vejam, que "delícia" de notícias!
- Marrocos impede acesso à informação sobre homossexualidade
- Vereador do PT do B afirma que homossexuais são "doentes"
- 17% dos terapeutas ingleses tentam "curar" pacientes homossexuais
- Austrália censura beijo lésbico em novela que trata de serial killers e sequestradores
- Parada Gay de Moscou é novamente proibida
- Filme de personagem gay de Sacha Baron Cohen recebe censura alta nos States
Ok, a última notícia é mais uma interpretação minha. Mas não duvido nada que o fato de Bruno ser gay é um dos agravantes à censura do filme.
É uma tristeza enorme ler todas essas notícias. Ver que em lugares diversos (como Marrocos, Rússia e Brasil) a homofobia e, mais longe ainda, o desrespeito aos direitos humanos continua sendo amplamente difundido. Já no caso da Austrália, a coisa tem mais a ver com hipocrisia mesmo. Afinal, essa novela deve ter cenas bem mais fortes do que duas moças se beijando, não? Pois que seja, Deus livre das recatadas senhoras que assistem à novela verem duas garotas se beijando. Por mim, tanto faz as bolachinhas não poderem se beijar na novela, se nosso vereador nos chama de doentes, não é mesmo?
Até quando as coisas vão continuar dessa maneira, hein? Até quando prenderemos, censuraremos, condenaremos, proibiremos e classificaremos como doentes pessoas que são apenas diferentes de nós? Sim, porque estou falando em relação às notícias do lado do vitimado, mas não estou isenta de tomar parte em preconceitos em relação a outros grupos. Nesse post - e nesse blog - puxo a sardinha do direito LGBTT, mas a coisa não para aí. Isso é só mais um direito em meio a centenas de outros discutidos pelo mundo.
Essa sociedade está falida desde seu nascimento. Quando ela deu certo? E é isso que mais me enfurece. Quando lançam mão do discurso de defender "valores" e "costumes" que já não existem há muito tempo, se sequer existiram. E é esses costumes e valores que fazem com que tanta coisa errada aconteça pelo mundo, desde a censura de um beijo lésbico em uma novela ao crime torpe e vil do Monstro Austríaco.
Já passou da hora de a gente ver o que está bem à frente de nossos olhos: que acima de todos os valores e dogmas e costumes judaico-cristãos, capitalistas, tradicionais há uma coisa muito simples: o direito do ser humano. O direito de viver, de pensar, de falar, de amar, de sentir livremente e sem restrições baseadas em uma cartilha falha, injusta e extremamente hipócrita.
Fonte das notícias: Dykerama e Judão.
P.S: Comecei terapia algumas semanas atrás e essa notícia dos terapeutas ingleses me impressionou muito. Que base têm para tratar pessoas que realmente precisam de ajuda quando estão presos em ideias absurdas? E isso vindo de profissionais que deveriam poder enxergar como é sem-sentido tentar "curar" homossexuais...
Rabiscado por C. June às 11:17 Permalink 1 comentários
sábado, 28 de março de 2009
That´s not my name!
Olá!
Ok, esse é um momento um tanto quanto constrangedor. O que dizer no primeiro post de um blog não-tão-pessoal?
Vou começar então respondendo uma pergunta. Por que Mulheres com Pinto?
A idéia surgiu de uma brincadeira com alguns amigos. Por ser um tanto quanto "bocuda" (tenho a tendência a falar palavrões de maneira descompromissada), e ter um certo espírito "sou um dos garotos" e, claro, também pela minha não-tão-disfarçável (homos)sexualidade, fui apelidada de "garota com pinto". Acredito que o apelido é um tanto quanto machista; por ser forte, diz-se que tenho um pinto? Mas não deixa de ser deliciosamente provocante. Uma garota "com pinto" é transgressora, querendo assumir um papel que não é dela no mundo controlado pelos oh-tão-superiores homens. Pois bem. Adoro ser essa transgressora que, supostamente, não sabe onde está pisando!
E qual a função do McP?
Como podem perceber a essa altura, a autora do blog assume uma postura feminista. Não, não sou como as sufragetes ou as queimadoras-de-sutiã muito menos tenho o alcance teórico, filosófico e, bem, genial de uma Simone de Beauvoir. Mas sou mulher, amo isso, e quero defender esse gênero tão veladamente discriminado e pisoteado por homens (e mulheres, tristemente!) por aí.
Falarei de tudo e de todos. Comentarei sobre coisas supérfluas como o último episódio de tal seriado e sobre coisas sérias, como minha posição em relação à Igreja Católica e seu NaziPapa, por exemplo.
Se as pessoas estarão interessadas no que tenho a dizer? Não faço a mínima ideia, e estou inclinada para o "não". Nem sei o futuro do McP como será. Mas ele vai servir para satisfazer minha vontade de falar, e falar, e falar sobre Deus e o mundo e isso, pra mim, já é terapêutico e muito bom. :)
Então, bem...até o próximo post!
Rabiscado por C. June às 08:36 Permalink 1 comentários
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